É de Cuba a maior surpresa do disco. A banda TENDENCIA executa um thrash metal ao estilo SEPULTURAda fase “Roots”: no entanto, com influências da música latina e com letras em espanhol. Da mesma forma que a execução de “Llanto del Desierto”, a gravação dessa faixa é de qualidade primorosa. Na participação seguinte, infelizmente outro contraponto: a gravação extremamente abafada do EVIL GRAVE prejudicou fortemente a participação da banda na coletânea.
De Mato Grosso do Sul, um novo nome do metal brasileiro ganha força em The Metal Infecting the World: a banda LEGACY, que faz um interessante metal tradicional com características bastante próprias. Da mesma forma, o THOR’S SONS faz uma união bastante particular entre o metal tradicional e tendências mais extremas – como o death. O registro em estúdio, no entanto, prejudicou as bandas seguintes em proporções diferentes: a complexidade da sonoridade da SKULL AND BONES foi minimizada, enquanto que a brutalidade do STODGY perdeu o peso dos riffs.
Com uma gravação que também comete pequenos deslizes, o metal melódico do SHADOWINGS não chegou a ser tão prejudicado em “Last Words of a King”, uma interessante composição da banda que traz, diferente de tantos outros grupos, uma dose de agressividade no instrumental. Na sequência (e encerramento) da compilação, duas bandas quem ainda podem trabalhar melhor a suas sonoridade – para não cair no senso comum – e outra que precisa caprichar dentro do estúdio. THE JOKKE (metal extremo) e FIRE ANGEL (metal tradicional) precisam elaborar de maneira eficaz a estrutura das suas músicas. A WILDCHILD mostrou criatividade (e obscuridade) em “Lies”, mas poderia alcançar um resultado mais satisfatório com tempo de produção.
Entre bandas interessantes e trabalhos razoáveis, a proposta da The Metal Infecting the World salienta o quanto diversificado é cenário brasileiro e como, se melhor trabalhado e divulgado, pode evoluir. O deslize da coletânea, entretanto, é de ordem técnica e não conceitual – nesse quesito está, inegavelmente, de parabéns. A música dos gaúchos da IMPERIAL MOON está cortada. Os seis minutos de “Dark Forever” foram resumidos, sem querer, é claro, a apenas sessenta segundos da sua introdução.
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